PDI: o que é, como fazer e modelo pronto

Todo mundo concorda que as pessoas precisam se desenvolver. O difícil é transformar essa intenção em algo concreto: o que exatamente desenvolver, como, até quando e quem acompanha. O PDI existe para responder a essas perguntas, por escrito, em uma página.
Este guia explica o que é um PDI, o que ele precisa ter, como montar um em seis passos e traz um modelo pronto, com um exemplo preenchido.
O que é PDI
PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) é um documento, combinado entre colaborador e gestor, que define quais competências a pessoa vai desenvolver, por meio de quais ações, em que prazo e como o progresso será acompanhado. É um plano curto e prático, revisado periodicamente, que conecta os objetivos de carreira da pessoa às necessidades da empresa.
Para que serve o PDI
Um PDI bem feito ajuda dos dois lados:
- Para o colaborador: deixa claro o que é esperado, o que precisa evoluir e qual é o próximo passo na carreira.
- Para o gestor: transforma conversas de feedback em compromissos com prazo, e não apenas em boas intenções.
- Para o RH: mostra, somando os PDIs, quais competências mais precisam ser trabalhadas e onde investir em treinamento.
- Para a empresa: prepara pessoas para assumir novas funções, o que fortalece a sucessão e a retenção de talentos.
O que um PDI precisa ter
Independentemente do formato, um PDI útil tem seis componentes:
- Objetivo de desenvolvimento: aonde a pessoa quer ou precisa chegar. Por exemplo, assumir a supervisão da equipe ou dominar um novo processo.
- Competências a desenvolver: de duas a quatro, no máximo. Mais do que isso dilui o foco.
- Ações de desenvolvimento: o que será feito para desenvolver cada competência, como cursos, prática, projetos e mentoria.
- Prazos: quando cada ação deve acontecer.
- Indicadores de sucesso: como saber que a competência evoluiu. Precisa ser algo observável.
- Acompanhamento: quando gestor e colaborador vão revisar o plano juntos.
Como fazer um PDI em 6 passos
1. Comece por uma conversa, não por um formulário
O PDI nasce de uma conversa entre gestor e colaborador. Perguntas que ajudam:
- O que você gostaria de estar fazendo daqui a um ou dois anos?
- Em que você se sente mais forte hoje? E onde sente que precisa evoluir?
- O que a equipe e a empresa precisam de você nos próximos meses?
2. Identifique as lacunas de competência
Compare o nível atual da pessoa com o nível esperado para a função atual ou para a próxima. Se a empresa tiver uma matriz de competências, use-a como referência. Se não tiver, descreva o que a pessoa faz hoje e o que precisaria fazer para alcançar o objetivo.
3. Escolha poucas competências
Selecione as duas a quatro lacunas com maior impacto. Um PDI com dez competências não é executado. Um PDI com três, bem acompanhado, gera mudança.
4. Defina ações variadas
Para cada competência, combine diferentes tipos de ação. Uma referência muito usada é o modelo 70-20-10, explicado mais abaixo: a maior parte do desenvolvimento acontece na prática, uma parte com outras pessoas e uma parte menor em cursos e conteúdos.
5. Estabeleça prazos e indicadores
Cada ação precisa de data, e cada competência precisa de um indicador observável. "Melhorar a comunicação" é vago. "Conduzir a reunião semanal da equipe sozinho até março" é concreto.
6. Combine o acompanhamento
Defina a frequência das revisões, por exemplo uma conversa mensal curta e uma revisão completa a cada trimestre. Sem acompanhamento, o PDI vira um documento esquecido em poucas semanas.
Modelo de PDI pronto
Copie a estrutura abaixo para uma planilha ou documento. Ela cabe em uma página. Se preferir, baixe o modelo de PDI em Excel, com listas prontas e uma aba de acompanhamento.
Cabeçalho
| Campo | Preenchimento |
|---|---|
| Nome | |
| Cargo atual | |
| Gestor | |
| Período do plano | |
| Objetivo de desenvolvimento |
Plano de ação
| Competência | Nível atual → esperado | Ação de desenvolvimento | Tipo (70/20/10) | Prazo | Indicador de sucesso | Status |
|---|---|---|---|---|---|---|
Acompanhamento
| Data | O que avançou | O que travou | Próximo passo |
|---|---|---|---|
Exemplo de PDI preenchido
Analista de atendimento que quer se preparar para a supervisão da equipe nos próximos 12 meses (veja também como preparar líderes antes da promoção):
| Competência | Nível atual → esperado | Ação de desenvolvimento | Tipo | Prazo | Indicador de sucesso |
|---|---|---|---|---|---|
| Dar feedback | Básico → Proficiente | Curso de feedback + conduzir conversas de feedback com dois colegas novos, com retorno do supervisor | 10 + 70 | 3 meses | Supervisor observa duas conversas e valida o roteiro |
| Gestão de indicadores | Básico → Proficiente | Acompanhar o painel semanal da equipe e apresentar os números na reunião de segunda-feira | 70 | 4 meses | Apresenta os indicadores sozinho por 4 semanas seguidas |
| Resolução de conflitos | Inicial → Básico | Mentoria mensal com uma supervisora de outra área + estudo de casos | 20 + 10 | 6 meses | Media um conflito real com acompanhamento e registra o aprendizado |
Repare que cada linha responde a quatro perguntas: o quê, como, até quando e como saber se funcionou.
PDI e o modelo 70-20-10
O modelo 70-20-10 é uma referência para equilibrar as ações de desenvolvimento:
- 70% na prática: projetos, novas responsabilidades, desafios no próprio trabalho.
- 20% com outras pessoas: mentoria, feedback, acompanhar colegas mais experientes.
- 10% em conteúdos formais: cursos, leituras, treinamentos.
Os percentuais não são uma regra exata. Servem para lembrar que um PDI feito só de cursos dificilmente muda comportamento. O curso dá a base; a prática e o feedback transformam a base em competência.
Erros comuns
- Preencher o PDI só para cumprir o ciclo de avaliação. Se ninguém revisa o plano até o ano seguinte, ele não existe na prática.
- Listar competências demais. O foco se perde e nada avança.
- Ações genéricas. "Fazer cursos de liderança" não é uma ação. "Concluir a trilha de feedback e aplicar o roteiro em duas conversas" é.
- Indicadores impossíveis de observar. Se não dá para saber se aconteceu, não é um indicador.
- Plano feito só pelo gestor. Sem o envolvimento do colaborador, não há compromisso.
- Não oferecer as condições. Se o plano prevê um curso ou uma nova responsabilidade, a empresa precisa garantir tempo e acesso para isso.
Como acompanhar os PDIs da equipe
Com poucos colaboradores, uma planilha resolve. Conforme a equipe cresce, alguns cuidados ajudam:
- Concentre os conteúdos em um só lugar, para que as ações de "10%" sejam fáceis de encontrar e de comprovar.
- Organize trilhas por competência. Quando várias pessoas precisam desenvolver a mesma competência, uma trilha comum evita retrabalho.
- Acompanhe a conclusão e as avaliações dos conteúdos ligados a cada PDI.
- Some os PDIs da equipe. As competências que aparecem em muitos planos indicam onde o RH deve investir.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre PDI e avaliação de desempenho?
A avaliação de desempenho olha para trás: mostra como a pessoa se saiu em um período. O PDI olha para a frente: define o que ela vai desenvolver a partir dessa avaliação. Os dois funcionam melhor juntos.
Com que frequência o PDI deve ser revisado?
Uma conversa curta todo mês e uma revisão completa a cada trimestre costumam funcionar bem. O plano inteiro normalmente é refeito uma vez por ano, ou quando a pessoa muda de função.
Quem é responsável pelo PDI?
O colaborador é o dono do plano e o principal interessado. O gestor apoia, cria oportunidades e acompanha. O RH oferece o modelo, os conteúdos e a visão do conjunto.
Quantas competências um PDI deve ter?
Entre duas e quatro. Com menos, o plano fica raso; com mais, perde foco e dificilmente é executado.
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Modelo de PDI pronto (Excel)
Planilha com cabeçalho, plano de ação com listas de nível, tipo 70/20/10 e status, aba de acompanhamento e um exemplo preenchido.